O Fascismo Italiano

 

As consequências da Primeira Guerra Mundial foram desastrosas para a Itália. Além do saldo negativo de 650.000 mortos e a região de Veneza devastada, cresceram as dificuldades econômicas e o desemprego. Surgiram muitos conflitos sociais, como o aumento de greves, revoltas e reivindicações. Os burgueses, sentindo-se ameaçados, se apoiaram num pequeno grupo político, disposto a acabar com a força revolucionária: os fascistas. Eles disputavam o poder com os socialistas.

O fascismo é uma ideologia totalitária, que defende o Estado como incorporador e representante de todos os interesses do povo, e nacionalista - a nação é considerada a mais alta forma de sociedade desenvolvida pelo homem. Ela surgiu na Itália depois da Primeira Guerra. O fascismo tinha suporte no movimento de renovação da burguesia nacionalista e no temor de que revoluções operárias, como a russa e a alemã, se repetissem na Itália. A fundação, em 1914, por Benito Mussolini, dos Combatentes do fascio (machado rodeado de varas, símbolo de autoridade no Império Romano) e das Esquadras de Ação, em oposição tanto ao regime democrático-parlamentar quanto ao perigo bolchevique, direcionou o apoio do empresariado.

Este grupo político, que era formado por anarquistas, sindicalistas, nacionalistas e antigos combatentes mal adaptados à vida civil, concorreu às eleições em 1919, sendo derrotados e não obtendo uma cadeira sequer no Parlamento.

Os fascistas estavam dispostos a derramar seu sangue pela revolução. Mas Mussolini teve de remodelar seu partido, pois o fracasso nas eleições mostrou todas as deficiências deste. E, após ser reorganizado em moldes para-militares, todos os seus membros passaram a usar camisas negras, um símbolo de luto da Itália.

Mussolini conseguia arrastar multidões com seus discursos simples, mas conturbantes, pois, além de oportunista, era um hábil orador, que se preparava para chegar ao poder.

 

Os fascistas no poder

 

Mesmo não tendo uma doutrina firme, sendo inclusive, contraditórios na maioria das vezes, os fascistas passaram de 200.000 em 1919 para 300.000 em 1921.Os fascistas aproveitaram-se da anarquia reinante na Itália para se impor. Atacavam socialistas e comunistas, organizavam "expedições punitivas" e exaltavam a violência em nome do nacionalismo.

Em Julho de 1922, a violência fascista evitou uma greve geral, decretada pelos partidos de esquerda. Foi então preparado um golpe de força que seria apoiado militarmente por uma marcha sobre Roma.

Em 26 de Outubro, Mussolini exigiu o poder ao Rei Vítor Manuel III, e foi encarregado de organizar um ministério, onde foram introduzidos vários simpatizantes do fascismo.

A partir deste momento, os fascistas detinham muitos poderes, apesar de o governo manter as aparências, continuando a existir a Câmara dos Deputados e o Senado, e, de todos os 14 ministros, somente 4 serem fascistas.E, nas eleições de 1924, quando os fascistas obtiveram 3/4 dos votos, os métodos para chegar a este resultado foram muito violentos.

Já em 3 de Janeiro de 1925, Mussolini estabeleceu um regime totalitário de governo. A oposição foi eliminada, a constituição reformada, desapareceram o Senado e a Câmara dos Deputados. Foi estabelecida a linha única de candidatos e apenas um partido continuou a existir.

Assim, Mussolini, chefe do Partido Fascista, tornou-se ditador absoluto da Itália (Duce).

 

As realizações do Fascismo

 

Desde 1870, as relações entre a Igreja e o Estado estavam abaladas. Mas, com o Tratado de Latrão, Mussolini resolveu o problema. O papado teria uma compensação financeira pela perda dos seus territórios; o casamento civil seria equiparado ao religioso e o ensino da religião católica seria obrigatório em todas as escolas.

Para Mussolini, foi uma ótima jogada política, pois atraiu os católicos para o seu partido. Mas ainda não satisfeito, continuou vigiando as publicações da igreja.

O estado foi organizado corporativamente: todos os profissionais estariam agrupados numa corporação, desde patrões até empregados. Greves eram proibidas e todos os problemas eram enviados ao Estado. Assim, as corporações tendiam a constituir um fator de cooperação entre as classes, e não de briga entre elas.

A economia italiana teve mudanças somente na fachada, já que todas as categorias profissionais passaram a ser representadas em uma Câmara das Corporações.

Já na política demográfica, o governo estabeleceu vantagens para as famílias numerosas, por que a expansão italiana deveria ser assegurada por uma população forte. Mas a reação demográfica foi reduzida: a natalidade cresceu pouco, declinando apenas os índices de mortalidade e emigração.

Para resolver o problema econômico, foram iniciados grandes trabalhos públicos: auto-estradas, aquedutos, edifícios habitacionais. A indústria foi dinamizada nos setores hidroelétrico, da construção naval, aeronáutica, automobilística, etc.

No setor agrícola, a batalha do trigo aumentou a produção de 46 a 65 milhões de quintais, permitindo à Itália dispensar importações do produto.

Dessa forma, o governo fascista de Mussolini procurou conduzir a Itália pelo caminho do desenvolvimento econômico. Contudo, apesar de aumentados pela propaganda, os resultados dos primeiros anos pareciam bastante modestos, se comparados com o programa apresentado inicialmente.