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O fascismo não foi um fenômeno restrito à Itália e á Alemanha. A crise de 1929, ao arrastar as economias européias ao abismo, fez que estas adotassem medidas protecionistas para se resguardarem da concorrência estrangeira. O nacionalismo econômico tomou feições políticas e se espalhou por vários países.
As crises políticas da Espanha
A história da Espanha, após o Congresso de Viena de 1815, é marcada politicamente pelas lutas contra o absolutismo real e por lutas internas separatistas.
A instabilidade política na Espanha era constante. Em 1812, 1837, 1845 e 1869, aprovaram-se Constituições com a finalidade de conter o poder real e estabilizar politicamente o país.
Em 11 de fevereiro de 1873 foi proclamada a Primeira República, de curta duração. No ano seguinte, os monarquistas proclamam Afonso XII rei da Espanha.
Dentro e fora da Espanha ocorriam insurreições. Os mouros se rebelaram. Os cubanos queria a independência. Nas Filipinas, a população se insurgia.
Afonso XIII, em 1902, jura a Constituição e inaugura uma nova fase de governo. A monarquia exercia o poder de direito, e os militares, o poder de fato.
Miguel Primo de Rivera, general da Catalunha, no ano de 1923, ameaça tomar o poder. O rei dissolve as Cortes, iniciando um período de ditadura militar, até 1925, quando os militares são substituídos por civis, tendo Primo de Rivera como presidente do Diretório que se constituiu.
O general Berenguer substituiu Primo de Rivera em 1930. Uma rebelião militar, em Jaca, levou ao desprestígio o seu governo, por mandar fuzilar os líderes. Berenguer se demitiu, e Aznar assumiu o poder.
As eleições municipais foram marcadas para 1931. Nesse momento, a população encontrava-se totalmente descontente com o regime de governo e com a situação econômica; o clima era de revolta civil.
O processo eleitoral não chegou a ocorrer. O rei abdicou e formou-se o Ministério de Alcalá Zamora.
As agitações de rua continuaram e as eleições ocorreram em junho de 1931, na qual os comunistas elegeram 200 deputados.
Inaugurava-se a Segunda República na Espanha, que aprovava uma nova Constituição.
As Cortes (Parlamento) condenaram Afonso XIII ao exílio e tomaram as terras da nobreza.
O ministério era chefiado por Azanã, que vivenciou dois anos de intensa crise política. Não conseguindo a estabilidade no ministério, pediu demissão por duas vezes.
As crises ministeriais sucediam-se, o que levou à dissolução das Cortes e à convocação de novas eleições, em 1933.
Em 1933, as eleições transcorreram em clima de violenta repressão. Os comunistas elegeram 58 deputados, perdendo espaço político para a direita, que dominou a Espanha.
Os comunistas radicais iniciaram uma série de movimentos, que foram prontamente reprimidos. A Catalunha, ao mesmo tempo, tentou proclamar sua independência, mas o movimento foi sufocado. Nas províncias bascas, as agitações políticas dominaram o ano de 1933, e a atitude do governo foi a mesma tomada em relação aos comunistas e catalães.
A crise política estava sob controle, porém o número de insatisfeitos era imenso.
A Guerra Civil Espanhola e a ascensão de Franco
Em 1936 ocorreram novas eleições na Espanha. Republicanos, comunistas e socialistas formaram a Frente Popular, eleita, em 1936, contra a Falange (partido composto pela alta burguesia, Exército e Igreja Católica).
A situação política interna, nesse momento, tornou-se tensa, pois a vitória da Frente Popular desencadeou uma série de manifestações -- incêndios de igrejas e conventos e violência de rua --, que não foram contidas pelo governo. As manifestações identificaram-se como pró-Frente Popular. Em meio a essas manifestações, o deputado Calvo Sotelo foi assassinado pela polícia, e o crime permaneceu impune. A Frente Popular não tomava nenhuma medida. Esse fato serviu de pretexto pra que, em 17 de Julho de 1936, o general Francisco Franco, comandante militar do Marrocos, iniciasse uma revolta contra a República. No dia seguinte, a revolta chegava à Espanha.
A Frente Popular contava com o apoio de operários, camponeses, funcionários e das minorias nacionalistas catalã e basca.
Internacionalmente, a União Soviética apoiava a Frente Popular e enviou tropas de voluntários, compostas por democratas e socialistas de todo o mundo. A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiavam a Falange e enviaram armas, munições e soldados.
França, Inglaterra e Estados Unidos mantiveram-se neutros.
Em 1939, a Falange saía vitoriosa da Guerra Civil Espanhola, e iniciavam-se o governo fascista de Franco.
Na Guerra Civil Espanhola enfrentaram-se forças democráticas e fascistas. Foi uma guerra longa que deixou 1 milhão de mortos e, de certa forma, representou o poder bélico que a Itália e a Alemanha vinham armazenando para a Segunda Guerra Mundial.
O governo de Francisco Franco
Com a ascensão de Francisco Franco, a Espanha passou a vivenciar um regime ditatorial, que se estendeu até 1975, ano de sua morte.
A implantação da ditadura de Franco levou ao poder a Falange, que se transformou em um partido fascista, extremamente eficiente na repressão às oposições políticas. Apesar de todo o apoio concedido pelas potências totalitárias à Falange durante a Guerra Civil Espanhola, Franco manteve, em relação à Segunda Guerra Mundial, uma posição de neutralidade.
Na década de 1960, a ditadura de Franco enfrentava uma série de greves operárias e manifestações de universitários. Ao final dessa década, em 1969, o príncipe Juan Carlos (neto de Afonso XIII) é nomeado, por Franco, como seu sucessor.
Em 20 de novembro de 1975, Francisco Franco morre e, no dia 22 de novembro do mesmo ano, o príncipe Juan Carlos é coroado rei da Espanha, dando início a um programa de reformas que tiveram à frente Adolfo Suárez Gonzalez. Os partidos políticos são legalizados e novas eleições são convocadas.
Em 1977, a Falange foi declarada ilegal, mas mesmo assim continuou atuando na clandestinidade.